
Cristiana Ferronatto
Head of Design for Business Transformation
Logo após ter retornado da primeira imersão que fiz ao Vale do Silício (e lá se vão quase 10 anos), desenvolvi uma palestra chamada “Admirável Mundo Novo”, uma alusão ao livro de Aldous Huxley.
Diferente do livro, que apresenta uma visão distópica do futuro, o objetivo dessa palestra foi compartilhar e traduzir o que aprendi por lá em uma visão otimista, apresentando cenários e caminhos possíveis a serem seguidos.
Um dos pontos que abordei foi que, em praticamente todo pitch de startup a que assisti, o empreendedor contava uma história que demonstrava o que chamei na palestra de “o tempo e o poder da observação”.
Em resumo, os “startupeiros” da época tinham como prática (até mesmo puxados pela escola de Steve Blank) entender em profundidade se o problema que eles queriam resolver (ou resolveram) era de fato real. E isso se dava graças ao tempo dedicado para observar o mercado e à capacidade de extrair informações significativas dessa atividade.
Nessa mesma palestra, que tinha como principal plateia lideranças de empresa, a minha provocação foi: vocês querem times inovadores e intraempreendedores, mas quanto tempo o seu time tem para usar o “poder da observação” e como as pessoas conseguem expressar a criatividade dentro das empresas?
Claro que, com agendas cheias de reuniões e atividades, pouco tempo sobra para observar e inovar.
Por que eu me lembrei dessa palestra e desse tema?
Ao ler o capítulo sobre liderança do livro The Book of Beautiful Questions, o autor Warren Berger constrói o conceito de que o líder precisa ser um “experimentador flexível”, alguém capaz de testar, ajustar e aprender continuamente. Para isso, é necessário ter tempo para refletir em silêncio, considerar e questionar.
Trago de volta a minha reflexão sobre o “poder da observação” e somo ao “poder de fazer boas perguntas”.
O fato é que nossa vida cotidiana é acelerada, cheia de reuniões e atividades, e, se não deixarmos propositalmente tempo para observar, pensar, refletir e questionar, vamos ser alcançados rapidamente pelos tsunamis que vêm por aí.
Dois tempos diferentes: 2017 e 2026. Parece que muita coisa mudou (e com certeza mudou), mas e os nossos comportamentos e práticas como indivíduos, lideranças e empresas mudaram?
Estamos deixando tempo na nossa agenda para observar, refletir, considerar e questionar?
Estamos dando tempo para nossos times observarem, refletirem, considerarem e questionarem?
Fica aqui a reflexão. Mesmo tendo construído a palestra lá atrás, revendo o conteúdo, ele está bem atual.
Se quiser conhecer, é só chamar, via formulário: https://viaflow.com.br/#contato



