Depois da migração para Python: o que não estava no orçamento 

Picture of Matheus Lopes

Matheus Lopes

Gerente de Pré-vendas Viaflow

Governança, sustentação e o custo real de operar um parque de automação.

O mercado de automação de processos robóticos está crescendo em ritmo consistente. Segundo a Grand View Research, o setor movimentava cerca de US$ 4,7 bilhões em 2025 e deve chegar a US$ 35,8 bilhões até 2033, com uma taxa de crescimento anual composta de 29%. Esses números refletem uma demanda real, empresas em praticamente todos os setores perceberam que processos repetitivos, baseados em regras, podem ser executados por software com ganhos mensuráveis de eficiência. 

O que os números de mercado não mostram é o que acontece dentro das empresas dois anos depois que os projetos de automação entram em produção. E é essa parte que, na minha leitura, o setor ainda discute de forma insuficiente. 

Existe uma narrativa dominante sobre a migração de plataformas comerciais de RPA para Python que, no essencial, diz que as licenças das grandes plataformas podem ser vistas como caras e o Python oferece flexibilidade técnica e integração nativa com o ecossistema de inteligência artificial. 

O problema não está na decisão de migrar. Está no que as empresas definem como o fim do projeto. 

Na maioria das iniciativas de automação que o mercado tem visto, o projeto termina quando o último robô entra em produção. Faz sentido do ponto de vista de gestão de projetos: há um escopo definido, há um prazo, há um aceite. O que essa lógica não captura é que automação não é uma entrega,  é uma operação. E operação tem custo de sustentação. 

O ponto que merece mais atenção do que normalmente recebe é a estrutura do custo total de automação. Um levantamento da Codewave que documenta os custos de licença aponta que o licenciamento representa apenas 25% a 30% do custo total de propriedade de uma solução de RPA. Os outros 70% a 75% estão distribuídos entre desenvolvimento, infraestrutura, integração com sistemas legados, treinamento e manutenção contínua. Quando uma empresa migra para Python, o componente de licença desaparece do orçamento. Os outros componentes não. 

Manutenção, especificamente, tende a crescer. A estimativa do setor é que a manutenção anual de scripts Python consome entre 15% e 25% do custo original de desenvolvimento, e esse número se justifica pela natureza técnica do problema. Scripts são escritos para um ambiente específico, num momento específico. Com o tempo, os sistemas que eles acessam são atualizados. Bibliotecas ficam defasadas. Processos de negócio mudam. A interface de um fornecedor externo é redesenhada. O robô que funcionava para de funcionar, às vezes de forma visível, às vezes processando dados com erros silenciosos que só aparecem quando o impacto já chegou ao negócio. 

Há uma diferença técnica fundamental entre um conjunto de scripts agendados e um ambiente corporativo de automação de processos e tarefas, e ela é relevante tanto para profissionais de TI quanto para gestores que tomam decisões de orçamento. 

Plataformas comerciais entregam, junto com a capacidade de execução dos robôs, uma camada de gerenciamento que inclui orquestração de filas de execução, armazenamento seguro de credenciais, logs estruturados, dashboards de performance e alertas quando um processo falha. Essas funcionalidades são o que permite que uma empresa saiba, em tempo real, o que está rodando, o que parou e por quê. 

Python não oferece essa camada por padrão. Para que um parque Python opere com a confiabilidade que processos críticos de negócio exigem, é necessário selecionar, configurar e manter ferramentas de observabilidade, de visualização, tratamento de logs, implementar monitoramento de exceções e integrar gestão de credenciais. Nenhuma dessas ferramentas é nova ou difícil de encontrar. Mas o esforço de integração, configuração e manutenção dessa infraestrutura é sistematicamente subestimado nas análises que comparam Python a plataformas comerciais. 

Quando essa camada não existe, o resultado prático é que falhas não são detectadas proativamente. Empresas que implementam monitoramento proativo relatam reduções significativas no tempo de inatividade, em alguns casos chegando a 95%. O dado parece alto, mas faz sentido quando se considera que “ambiente reativo” frequentemente significa descobrir a falha quando o trabalho manual acumulado se torna impossível de ignorar. 

Há também o risco da cadeia de dependências. Scripts Python dependem de bibliotecas externas. Sem um processo de auditoria periódica de dependências, o ambiente de automação pode estar exposto a falhas conhecidas sem que a equipe de TI tenha visibilidade disso. 

O fator humano merece atenção separada porque é onde o risco fica menos visível no curto prazo e mais caro no médio. 

Em ambientes Python, especificamente, o risco de concentração de conhecimento é alto. Quando o entendimento sobre como uma automação funciona reside em uma única pessoa, a rotatividade natural de qualquer equipe de tecnologia cria um problema estrutural. Documentação, quando existe, tende a ficar desatualizada mais rápido do que é revisada. 

O que observo no mercado é que a conversa sobre automação está amadurecendo, mas de forma assimétrica. A decisão de adotar e depois de migrar para Python tem recebido atenção crescente. O que ainda não recebeu atenção proporcional é o que vem depois: a governança do parque de robôs em produção. 

Parte disso é estrutural. Projetos têm começo e fim; operações não. O orçamento de um projeto de automação cobre desenvolvimento e implementação. O custo de operar o que foi construído tende a aparecer de forma difusa, distribuído entre equipes de TI que absorvem a manutenção como overhead, ou simplesmente não aparece até que um processo crítico pare em momento inoportuno. 

O impacto financeiro é direto. Para processos como fechamento contábil, processamento de pedidos ou conciliação bancária, o custo de uma hora de inatividade é mensurável e, na maioria dos casos, superior ao custo mensal de uma estrutura de sustentação. O problema é que esse cálculo raramente é feito de forma explícita. O custo da inatividade aparece distribuído, em erros que precisam ser corrigidos, em decisões tomadas com dados desatualizados. O custo da sustentação é concentrado e visível. Essa assimetria de visibilidade explica, em parte, por que a sustentação continua sendo relegada a segundo plano mesmo em organizações que já entenderam os riscos. 

Existe uma terceira fase na maturidade de automação das empresas que está começando a se tornar visível no mercado. A primeira foi a adoção, quando organizações descobriram que processos repetitivos podiam ser automatizados com ganhos reais de eficiência. A segunda foi a migração, impulsionada pela pressão por redução de custos e pela convergência entre automação e inteligência artificial. A terceira fase é a da maturidade operacional: a percepção de que automação não é um projeto que se entrega, é uma capacidade que precisa ser cuidada no dia a dia. 

O que diferencia empresas que chegam a essa terceira fase de forma controlada das que chegam de forma reativa é, em geral, uma decisão que foi ou não foi tomada no momento da migração: a decisão de incluir governança, monitoramento e sustentação como parte do escopo permanente da operação de automação,  não como fase dois de um projeto futuro. 

A Viaflow oferece Monitoramento e Suporte Ilimitado para parques de automação em Python: acompanhamento contínuo dos robôs e infraestrutura, alertas proativos de falhas e equipe especializada para atendimento ilimitado de incidentes. Dessa forma, enquanto sua equipe foca em novas entregas, nós asseguramos que cada robô continue executando e produzindo os resultados esperados.

Compartilhe o Post: